1ª Assembleia Regional da Região Stella Maris 24-26 julho 2024
Chegámos de véspera, na tarde do dia 23, expectantes, entusiasmadas, felizes por podermos participar na 1ª Assembleia Regional. Assis esperava-nos com um sol radioso e o coração fraterno de Francisco em cada uma das irmãs do Sector de Itália que ali vivem e nas que chegaram de outras comunidades.
As irmãs do sector de Portugal, que chegaram mais cedo a Roma, esperavam-nos no terminal do aeroporto e a alegria, os abraços e as gargalhadas surpreendiam as pessoas que nos olhavam com surpresa. Para onde irão tantas mulheres “maduras”? Juntas, de autocarro, seguimos para Assis.
Sim, sabíamos para onde íamos, o porquê e com que finalidade… mas tudo nos foi surpreendendo durante o nosso encontro e estadia na comunidade de Santa Maria dos Anjos.

Imaginem: 50 irmãs, vindas de três países, com três línguas diferentes, de idades, experiências e realidades distintas. Conseguimos criar rapidamente laços porque nos unia algo muito forte: a consciência da mesma vocação, do mesmo carisma, da mesma vontade de estreitar os laços que consolidam a nossa nova Região Stella Maris.
Dia 24 – 6h30 da manhã. Começámos o dia juntando-nos à oração das Laudes, seguida da Eucaristia, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, surpreendentemente cheia àquela hora da manhã. Parece que não é de todo estranho, mas sim comum, que cidadãos, peregrinos e turistas se juntem à comunidade OFM para começar o dia com oração.
Mas temos de trabalhar e (que surpresa!) iniciamos o encontro no jardim com uma simpática e alegre dinâmica em que entrelaçamos, com fundo musical, as nossas diferentes bandeiras em torno de um longo mastro, que se eleva em direção ao céu, até conseguirmos um único tecido de cores que simbolizava a nossa união. Tratava-se de tecer “laços de comunhão e interconhecimento e de aprender a caminhar juntas. Uma irmã, no centro de cada um dos três círculos, representando cada um dos sectores, segurava o mastro, num enorme esforço de vontade para equilibrar a força de cada uma, mas, claro, no final, conseguimos… apesar do calor abrasador que nos acompanhou todos os dias da nossa estadia em Assis. E as dinâmicas continuaram do primeiro ao último momento.

Tomámos conhecimento do tema da Assembleia “SEMENTES DE ESPERANÇA” que nos propôs importantes desafios: aprofundar o nosso conhecimento mútuo, desenvolver a identidade regional e promover espaços para estimular o diálogo, partilhar a nossa realidade concreta, criar laços para nos comprometermos juntas na sementeira lançando, conscientemente, com generosidade, responsabilidade e coragem, as sementes que Deus nos confiou. Todas chamadas, todas convocadas e responsáveis para que as sementes lançadas vão frutificando.

O símbolo da semente evoca a participação, a comunhão e a solidariedade de todas… Se não o entendermos desta forma, a comunidade e a Região não podem existir. Uns plantam, outros regam, outros cuidam, outros podam ou arrancam ervas daninhas. Todas com funções diferentes, mas todas importantes e necessárias para dar flores e frutos. Ele chama-nos à VIDA, e a dar vida.
As fitas das nossas bandeiras que tecemos com as cores dos setores comprometem-nos a levar o Evangelho até ao fim do mundo, como fizeram Francisco e Maria da Paixão, entre dificuldades, dores e doenças; uma única bandeira que, com a força de Deus, falará e respirará por nós, apesar dos nossos limites.
Somos questionadas por outro tema: ESCUTAR DEUS ATRAVÉS DOS SINAIS DE ESPERANÇA que descobrimos no MUNDO, em NÓS, nas nossas COMUNIDADES. São muitas as ideias e realidades que ficam nos nossos corações depois da partilha nos grupos: apesar do mal que se vê e se descobre no mundo notamos que “algo novo está a nascer” graças, em parte, à presença de tantos migrantes que partilham connosco a sua fé, a sua confiança, o seu desejo de viver e despertam em muitos grupos,jovens e idosos um maior desejo de dedicação, diálogo, escuta e de solidariedade, novas possibilidades e iniciativas de comunhão e colaboração.

Também em nós, experimentamos sementes de vida ao partilharmos, nos grupos, as nossas histórias pessoais… o que Deus nos pede e dá a cada uma de nós. Tantos testemunhos que revitalizam a nossa vida FMM e, claro, de uma forma muito especial (pela vida) nas comunidades, sobretudo neste tempo que nos chama e convida à transformação e nos prepara para celebrar os 150 anos da nossa fundação.
Acolhemos com alegria a presença, entre nós, das Irmãs Narelle e Celina (Conselheiras Gerais) que, com as suas palavras de incentivo e solidariedade à equipa Regional e para connosco, nos transmitiram a saudação da Irmã Eufemia (que também pretendia participar, mas, como sabemos, a sua frágil saúde impediu-a de o fazer). Mas o Instituto não pára… e todas continuam a trabalhar com dinamismo e um olhar de fé e confiança no futuro.
O 2º Dia inicia-se com a oração das Laudes e a Eucaristia com a comunidade. Esta manhã examinámos, em grupo, as Sementes de Esperança presentes na nossa Região Stella Maris. O que Deus nos pede neste momento específico, olhando para a nossa dimensão missionária, vocacional e de vulnerabilidade? Para estarmos prontas a sermos enviadas para onde precisarem de nós, dentro ou fora da Região, redescobrindo a dimensão eucarística e contemplativa da nossa vocação e vivendo o entusiasmo da entrega até ao fim, acolhendo e aceitando com realismo, a nossa fragilidade, as nossas limitações pessoais e comunitárias, sem deixar de tecer todos os dias para reparar todo o sofrimento, com o fio da esperança e pontos de restauração.
Será que nos sentimos chamadas a fazer um ato de fé e a perguntarmo-nos: “Senhor que queres de mim? Que queres de nós como Região?”
Dia 26- Bem cedo apanhámos um autocarro para ir para o Alverne. Foi um dia especial. Um belo presente! Poder viver o dia inteiro naquele lugar mágico e acidentado, onde Francisco passou tantas horas de oração solitária, em silêncio, só com o seu Deus, o seu Tudo… e onde o seu profundo desejo de se juntar à Paixão de Cristo (e de experimentar o Seu sofrimento na sua própria carne) lhe valeu o dom dos Estigmas, cujo 8º Centenário celebramos em toda a Família Franciscana.

Tivemos a sorte de celebrar com emoção a Eucaristia e de visitar os lugares específicos que nos falam da oração sincera e confiante, do sacrifício e da fé profunda de Francisco, nosso Pai.
Ao terminar gostaria de sublinhar algumas das ideias que, na avaliação preliminar, surgiram:
Em primeiro lugar agradeço ao Conselho Regional pela iniciativa, pela preparação detalhada e criativa destes três dias de Assembleia, em que irmãs dos três países da região se puderam reunir, partilhar e refletir sobre a missão e compromisso de serem Semeadoras de Esperança.

Conseguimos dar um nome e um rosto a cada irmã. Conhecer a realidade de outros países e comunidades uniu-nos muito e enriqueceu-nos, e compreendemos melhor a importância da internacionalidade e da interculturalidade do nosso Instituto FMM e da nossa Região neste momento de transformação. “É POSSÍVEL”.

O acolhimento das nossas irmãs italianas foi surpreendentemente bom, cheio de pormenores. Não havia dúvida que “estávamos em casa”. Uma questão importante surge desde o primeiro dia: Em que dia celebraremos a festa da nossa Região? Após várias sugestões, ficou decidido que o dia 27 de setembro seria a festa de Santa Maria Stella Maris, o dia em que se inicia o Conselho Regional Ampliado em Portugal.
OBRIGADA de todo o coração. Esperamos que estas Assembleias se repitam nos outros dois países para que mais irmãs possam desfrutar e fazer esta experiência.
Ir.Lourdes Gabilondo, fmm Setor de Spanha




