“EI A ESCRAVA DO SENHOR, FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA»
A minha experiencia dos primeiros votos como Franciscana Missionária de Maria na Bolivia/ Cochabamba, dia 21/05/2025.
O dia dos meus primeiros votos foi um momento de profunda graça, daqueles que marcam as nossas vidas para sempre. Uma única frase ecoou no meu coração, iluminando tudo: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1,38). Não eram apenas palavras do Evangelho; eram o eco do meu interior, a expressão do que eu vivenciava no fundo da minha alma: um sim livre e confiante, como o de Maria.
Durante muito tempo, senti que Deus me olhava com amor, com ternura, e me chamava a segui-Lo, a pertencer-Lhe completamente. Fazer os meus primeiros votos como Franciscana Missionária de Maria foi a confirmação deste chamamento. Nesta caminhada, senti-me apoiada pela Palavra de Deus, pela comunidade de formação, pelas minhas companheiras de viagem: María Lidiane, Kerllen Cristina e Yurica Huachaca, e especialmente pela promessa do profeta Isaías: “Não temas, porque Eu estou contigo; não te aflijas, porque Eu sou o teu Deus. Eu te fortaleço e te ajudo; Eu te sustento com a minha mão vitoriosa.” (Is 41,10).
Esta promessa é um pilar para mim. Preciso de me lembrar dela todos os dias, porque a consagração não é um momento isolado, mas uma história que se escreve passo a passo, no pequeno, no quotidiano, na vida partilhada em comunidade.
Como Maria de Nazaré, quero renovar o meu «sim» todos os dias, sem reservas, no oculto, no simples, na entrega silenciosa. Maria não fazia grandes discursos, mas vivia intensamente a sua fidelidade. A sua lâmpada estava sempre acesa, como nos ensina a parábola das virgens prudentes (cf. Mt 25,1ss). Esperou, vigiou, confiou e ofereceu-se a cada passo, sem saber o que iria acontecer, mas sabendo em quem confiava.
Também em mim arde o desejo de viver assim: com a lâmpada do meu coração acesa, com o óleo da fé, da esperança, do amor fraterno, da oração e da fidelidade concreta à missão que recebi.
Este meu «sim» alimenta-se também da herança de São Francisco de Assis, que se entregou sem medida ao Amor, e de Maria da Paixão, nossa fundadora, que soube viver a sua consagração como oferta total ao Pai. Ela disse: «Não nos cansemos de fazer o bem… devemos manter o ideal do amor fraterno». No seu exemplo, encontro inspiração para viver a minha vocação com alegria, abandono e perseverança.
Recordo também as palavras do Salmo 45 (44), que me comovem: “Ouve, filha, vê e atenta: esquece o teu povo e a casa de teu pai; o Rei está encantado com a tua formosura; ele é o teu Senhor; inclina-te diante dele” (v. 11).
Sim, o Senhor agradou-se da minha pequenez. E eu, pobre e limitada, só desejo curvar-me diante d’Ele e pertencer-Lhe, porque Ele me amou primeiro.
Fazer os meus primeiros votos é um começo, não um objetivo. É como plantar uma semente. E agora, com a graça de Deus e o apoio da minha comunidade, quero deixá-la crescer, regando-a todos os dias com a oração, a fraternidade, a escuta da Palavra, o serviço alegre e a confiança no Espírito Santo.
Concluo este testemunho pedindo uma graça: a de ser fiel. Fiel como Maria, que se manteve firme junto da cruz. Fiel como Francisco, que viveu o Evangelho radicalmente até ao fim. Fiel como Maria da Paixão, que não se deixou vencer pelas provações. 
Peço a graça de ser uma lâmpada acesa, uma presença humilde e alegre no meio do mundo, uma irmã disponível para servir e amar. Que a minha vida seja louvor ao Pai, por Cristo, com Ele e n’Ele, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Irmã Matumaini, FMM.



